Como as ideologias vão condenar sua alma 

Por Erich Yonezawa de Paula 

Antes do mundo material que nós conhecemos, sentimos, tocamos e ouvimos, Deus criou o mundo espiritual e nele viviam os anjos. Esses anjos foram criados livres, mas alguns deles usaram sua liberdade para se afastar de Deus. A esse afastamento do amor de Deus por parte de alguns anjos nós damos o nome de pecado, o que caracteriza a origem do mal. Ou seja, o mal é uma invenção angélica, fruto da opção que alguns anjos fizeram de se afastar de Deus. 

O ser humano foi criado bom. Deus enviou a Sua graça ao ser humano para que tivesse a capacidade de amá-Lo. Mas o primeiro homem e a primeira mulher, que nós conhecemos por Adão e Eva, foram enganados pelo Diabo e desobedeceram a Deus. Assim, o mal contaminou o mundo, e a mancha desse pecado original foi perpetuada em todas as gerações, a qual carregamos até hoje. 

A encarnação de Deus na pessoa de Seu Filho Jesus se deu justamente para a nossa redenção. E quanto mais buscamos aplicar os ensinamentos de Jesus, mais próximos estamos da salvação eterna de nossas almas. Como o próprio Cristo nos revelou, Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,6). É por causa disso que o homem tem um anseio intrínseco de buscar a verdade. Prova disso é que, desde as primeiras civilizações, o homem sempre buscou entender e explicar questões fundamentais da nossa realidade, da realidade humana. O Papa São João Paulo II escreveu, em sua encíclica Fides et Ratio, o seguinte: 

Tanto no Oriente como no Ocidente, é possível entrever um caminho que, ao longo dos séculos, levou a humanidade a encontrar-se progressivamente com a verdade e a confrontar-se com ela. É um caminho que se realizou — nem podia ser de outro modo — no âmbito da autoconsciência pessoal: quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo, tanto mais se conhece a si mesmo na sua unicidade, ao mesmo tempo que nele se torna cada vez mais premente a questão do sentido das coisas e da sua própria existência. 

(…) 

Aliás, basta um simples olhar pela história antiga para ver com toda a clareza como surgiram simultaneamente, em diversas partes da terra animadas por culturas diferentes, as questões fundamentais que caracterizam o percurso da existência humana: Quem sou eu? Donde venho e para onde vou? Porque existe o mal? O que é que existirá depois desta vida? Estas perguntas encontram-se nos escritos sagrados de Israel, mas aparecem também nos Vedas e no Avestá; achamo-las tanto nos escritos de Confúcio e Lao-Tze, como na pregação de Tirtankara e de Buda; e assomam ainda quer nos poemas de Homero e nas tragédias de Eurípides e Sófocles, quer nos tratados filosóficos de Platão e Aristóteles. São questões que têm a sua fonte comum naquela exigência de sentido que, desde sempre, urge no coração do homem: da resposta a tais perguntas depende efetivamente a orientação que se imprime à existência. (PAPA JOÃO PAULO II) 

É evidente então que a busca pela verdade nos aproxima de Deus. E o contrário também é verdadeiro. Jesus nos ensina que o Diabo “não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”. O Diabo se utiliza da mentira para nos afastar de Deus, como fez com Adão e Eva, e seu objetivo é condenar as nossas almas ao inferno pela eternidade. É por isso que São Paulo diz, na carta aos Efésios, capítulo 6º, versículos 11 e 12: 

Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. (Ef 6,11- 12) 

Portanto, negar a verdade é prestar serviço ao Diabo. E as forças espirituais do mal estão por aí, espalhadas pelos ares, tentando nos impedir de enxergar a realidade, e parte dessa ação do maligno ocorre por meio de ideologias. Ideologia é o oposto de realismo. Realismo é olhar para a realidade e adequar o intelecto a ela, entendendo a realidade como ela é, gostemos dela ou não. O máximo que nós podemos fazer é agir no sentido de melhorar algo sem, no entanto, mudarmos a natureza das coisas. Quando almejamos mudar algo em nossa realidade, olhamos para o passado, para as situações que deram certo e que deram errado e, baseado nessas experiências passadas, temos condições de decidir o rumo que vamos tomar. Tratando-se de ideologia, acontece o contrário: um cidadão ou um pequeno grupo de pessoas que se autointitulam intelectuais e se consideram mais iluminadas que todas as outras pessoas rogam para si a prerrogativa de saber o que é o melhor para todo o mundo, ou seja, só eles têm condições de dizer como seria uma sociedade perfeita. Essa sociedade perfeita nunca existiu; só existe no futuro e na mente desses “intelectuais”. E para se chegar a essa sociedade perfeita, as suas ideias (a sua ideologia) devem ser impostas às outras pessoas mesmo que, para isso, seja necessário mudar a natureza das coisas, e até mesmo a natureza humana. É isso que acontece, por exemplo, na ideologia de gênero: a natureza humana é modificada, não existe homem e mulher, que são, segundo os ideólogos de gênero, construções sociais de uma sociedade burguesa, machista, patriarcal e opressora. Assim, o indivíduo é que escolhe se quer ser homem ou mulher, contrariando a biologia, a natureza humana. Com isso, surgem as aberrações de pessoas que se consideram cachorros, dragões ou seres extraterrestres. 

A ideologia de gênero é apenas um dos vários exemplos de ideologias que contaminaram a nossa sociedade, disseminadas nas escolas, nas universidades, na mídia, no seio das famílias e até mesmo dentro da Igreja, levando pessoas a uma terrível crise moral, intelectual e espiritual. Para conhecer mais sobre essas ideologias nefastas e saber como se defender de cada uma delas, torne-se aluno do nosso curso Venenos Ideológicos, clicando na aba “Nossos cursos online”.