Por Thais Yonezawa de Paula Oliveira
A Teologia da Libertação é uma heresia que, embora já condenada pelo Papa Bento XVI, ainda está presente em nossa Igreja, desconstruindo nossa Fé através da negação de verdades primordiais. Faz-se necessário, portanto, analisar os argumentos usados pelos sacerdotes ditos progressistas e refutá-los um a um, como fazia Santo Tomás de Aquino em sua Suma Teológica. Serão, ao todo, 12 artigos, nos quais serão expostos os principais pontos contorversos.
Art. 1º – Se Jesus multiplicou o pão
Parece que Jesus não multiplicou o pão.
1 – Pois, se Jesus tivesse multiplicado o pão, Ele seria um mero mágico que fazia coisas para impressionar, como se tirasse um coelho de uma cartola. Ora, Jesus, sendo humilde, jamais faria coisas apenas para impressionar as pessoas. Logo, Jesus não multiplicou o pão.
2 – Ademais, tudo o que Jesus fazia era para ensinar algo ao povo. Nesse momento, Ele queria deixar como lição a importância da partilha. Quando o menino oferece seus míseros 5 pães e 2 peixes, Jesus conscientiza as pessoas a repartirem o que tinham, sendo generosas como o menino. Portanto, o que houve, na verdade, não foi um milagre de multiplicação, e, sim, um milagre da partilha, em que todos colocaram em comum o pão que haviam levado e, assim, uns levando muito e outros, pouco, ao colocarem em comum, todos comeram e sobraram ainda 12 cestos.
Mas, ao contrário, diz a Escritura (Mt 16,7-9): “Homens de pouca fé! Não vos recordais dos cinco pães distribuídos a cinco mil homens e de quantos cestos colhestes?”.
SOLUÇÃO – É evidente que Jesus, sendo Deus, podia facilmente multiplicar os pães. O mesmo Deus que, do nada, fez a luz, o céu, as estrelas, os mares, as plantas, os animais e até mesmo o homem, poderia muito bem simplesmente dizer: “Faça-se pão” e o pão apareceria em abundância. Porém, Cristo quis usar de uma mísera matéria-prima, ou seja, 5 pães e 2 peixes, com a finalidade de mostrar que Ele quer, embora não precise, da nossa contribuição, mesmo que mínima.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – Não há nada em comum entre o que um mágico faz e um milagre real. Segundo o dicionário, a definição de mágico é: “Aquele que, com a ligeireza das mãos, dá a impressão de ter feito algo sobrenatural”. Ou seja, mágica nada mais é do que uma enganação, um faz de conta, algo que dá a impressão de ser sobrenatural, mas, na verdade, não é. Ora, mágica é, pela própria definição, oposta a um milagre, que é, verdadeiramente, um acontecimento sobrenatural, e não uma enganação. Milagre, segundo a definição do Padre Quevedo, é a assinatura de Deus. Assim sendo, só Deus pode fazer milagres verdadeiros. Sendo Jesus verdadeiro Deus, realizava verdadeiros milagres, e não meras ilusões. Assim sendo, não se pode em nada comparar a multiplicação dos pães com alguém que, usando de enganação, tira coelhos de uma cartola.
RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO – Não havia a possibilidade de as pessoas ainda terem pão consigo, pois, em um dos relatos, é dito que já havia três dias que estavam no deserto na companhia de Jesus. São Mateus atesta que não havia mais comida, já que o próprio Jesus disse: “Sinto compaixão dessa multidão. Já faz três dias que estão comigo, e não têm nada para comer” (Mt 15,33). São Mateus também atesta que eles estavam no deserto e que, portanto, não era possível que alguém tivesse conseguido comprar comida, já que havia uma grande dificuldade de se chegar ao comércio mais próximo: “De onde vamos conseguir, num lugar deserto, tantos pães que possamos saciar tão grande multidão?” (Mt 15,33). Além do mais, a narrativa deixa claro que foi repartida apenas aquela pequena quantidade doada pelo menino: “Então, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção, partiu os pães e os deu aos discípulos; e os discípulos distribuíram às multidões”. Portanto, Cristo verdadeiramente fez um milagre, multiplicando os 5 pães e os 2 peixes. De fato, em tudo que faz, Jesus nos ensina algo. Porém, nesse fato especificamente, Jesus não nos ensinava a partilhar, mas sim que Ele, sendo Deus, tinha poder sobre o pão. Na mesma noite, Jesus caminha sobre as águas, mostrando que também tem poder sobre seu corpo. E, após mostrar que tem poder sobre o pão e sobre seu próprio corpo, faz seu primeiro discurso eucarístico, que nada mais é do que o pão que é transformado em seu próprio corpo. Assim sendo, antes de falar sobre a Eucaristia, Cristo quis, pedagogicamente, mostrar que Aquele que tem poder sobre o pão e sobre seu corpo, pode transformar uma coisa em outra.
Art. 2º – Se Jesus ressuscitou Lázaro
Parece que Jesus não ressuscitou Lázaro.
1 – Pois Lázaro não estava morto, ele estava apenas doente. Jesus chega e, ao ver Jesus, Lázaro se anima e se levanta. Portanto, não houve verdadeira ressurreição, sendo apenas um modo de dizer que Lázaro estava como que morto.
2 – Ademais, Jesus quis, nesse episódio, nos ensinar que Ele pode nos reerguer de nossos desânimos espirituais e nos libertar da depressão.
Mas, ao contrário, diz a Escritura (I Sm 1,28): “O Senhor dá a morte e a vida, faz descer à habitação dos mortos e de lá voltar”.
SOLUÇÃO – Jesus, sendo Deus, é o Senhor da vida. Ele pode muito bem dar e tirar a vida, da mesma forma que também pode fazer alguém que estava morto voltar à vida.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – A narrativa da ressurreição de Lázaro é muito clara ao dizer que ele já estava morto. São João, no capítulo 11, versículo 17, diz que, quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido sepultado. Ora, ninguém é sepultado enquanto ainda está vivo. Logo, Lázaro já havia morrido. A própria irmã de Lázaro, de nome Maria, diz a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!”. E, quando Jesus pede para que lhe abram o túmulo, Marta responde: “Senhor, já cheira mal”. Portanto, Lázaro estava verdadeiramente morto e não apenas doente. Logo, Jesus ressucitou Lázaro.
RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO – O que Jesus nos ensina aqui é que Ele tem poder sobre a vida, provando, mais uma vez, ser verdadeiro Deus.
Art. 3º – Se Jesus curou o cego
Parece que Jesus não curou o cego.
1 – Pois, no tempo de Jesus, os cegos eram desprezados pela sociedade e retirados do convívio com os demais. O que Jesus fez foi acolher o cego de forma que ele passou a ser tratado como se não o fosse, tamanha a generosidade de Jesus com os excluídos. Mas não houve uma cura verdadeira.
2 – Ademais, nessa passagem, Jesus está nos ensinando a ajudar os pobres, visto que os pobres são os novos excluídos de hoje.
Mas, ao contrário, diz a Escritura (Mt 4,23): “Jesus andando, ensinando, pregando o Reino de Deus, curando todo tipo de doença e enfermidade”.
SOLUÇÃO – Jesus, como já dito, fazia verdadeiros milagres. Portanto, Ele de fato curou a muitos: cegos, surdos, mudos, endemoniados, paralíticos, etc. Se os “pequenos” milagres forem negados, fatalmente serão negados os maiores: o grande Mistério da Encarnação e o Grande Mistério da Ressurreição. Se aceitarmos que neguem os milagres menores, estaremos concordando com a destruição total da nossa Fé.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – Após ser curado da cegueira, os vizinhos, perplexos, perguntaram-lhe: “Como te foram abertos os olhos?”, ao que o cego respondeu que foi curado por Jesus. Os fariseus, igualmente perplexos, indagaram novamente como ele voltou a enxergar. E o cego novamente respondeu que foi curado por Jesus. Não satisfeitos, os judeus chamaram os pais do que fora cego e perguntaram: “É este o vosso filho? Afirmais que ele nasceu cego? Pois como é que agora vê?”. Seus pais confirmaram: “Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego. Mas não sabemos como agora ficou vendo.”. Assim sendo, o cego não foi simplesmente tratado por Jesus de forma diferente da qual ele era tratado pela sociedade; ele, de fato, voltou a enxergar, o que causou enorme perplexidade nos vizinhos, fariseus e até mesmo em seus pais.
RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO – Tudo o que Jesus fez deve ser interpretado de forma histórica e literal, o que não impede outras interpretações como a anagógica, a moral e a analógica. Podemos, sim, com uma interpretação moral, entender que Jesus quer que tratemos bem os excluídos, mas isso não impede a interpretação literal de que o fato aconteceu tal como foi narrado pelo Evangelista.