Por Thais Yonezawa de Paula Oliveira
Dando sequência aos artigos publicados em 06/10/2025 e 14/10/2025, relativos à heresia da Teologia da Libertação, segue abaixo uma análise acerca de outros três pontos controversos.
Art. 7º – Se há condenação eterna
Parece que não há condenação eternal.
1 – Pois, quando eu não estou bem com o meu irmão, quando há discórdias, quando há guerras, isso já é o próprio inferno vivido nesta vida. Não existe um lugar futuro chamado inferno.
2 – Ademais, como já foi dito anteriormente, Deus é Amor. Ora, se Deus nos ama, jamais permitirá que nos condenemos. Deus é misericórdia. Da mesma forma que Ele perdoou a samaritana, a mulher adúltera e até mesmo aqueles que o crucificaram, perdoará também a nós. Logo, não existe condenação eterna.
Mas, ao contrário, diz a Escritura (Mc 16,16): “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”.
SOLUÇÃO – Diz o Catecismo da Igreja Católica (1861): “O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, tal como o próprio amor. Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E, se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis. […]”.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – São inúmeras as referências ao Inferno feitas por Nosso Senhor, deixando muito claro que o Inferno é uma realidade futura e definitiva para as almas que persistirem no pecado. Na narrativa da cura do enfermo que sofria de um mal há 38 anos, Jesus lhe diz: “Eis que ficaste são; já não peques para não te acontecer coisa pior”. Ora, de que coisa pior Jesus estava dizendo que o homem poderia sofrer se pecasse? Evidente que Ele se referia ao mal da alma, da condenação eterna, que é pior do que qualquer outra doença.
RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO – Deus é amor. E nos ama tanto que nos dá a plena liberdade de escolher entre o bem e o mal. É Deus quem diz (Dt 30,15): “Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal”. Logo, o amor de Deus por nós não nos priva de escolher o mal e, portanto, há a condenação eterna.
Art. 8º – Se o Demônio existe
Parece que o Demônio não existe.
1 – Pois foi Deus quem criou todas as coisas. Ora, Deus, sendo bom, jamais poderia criar algo mau. Logo, o Demônio não existe.
2 – Ademais, a existência do Demônio é uma invenção muito posterior, da Idade Média, criada para passar medo nas pessoas, de forma que obedecessem à Igreja.
Mas, ao contrário, diz a Escritura (Sb 2,24): “É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”.
SOLUÇÃO – Diz o Catecismo de São Pio X (13, 16 e 17): “Antes do homem, que é a criatura mais perfeita de todo o mundo sensível, Deus havia criado uma multidão infinita de outros seres mais elevados, de natureza mais elevada que a do homem, chamados Anjos. Os espíritos fiéis, chamados Anjos bons […] foram recompensados com a eternal felicidade da glória. Os espíritos infiéis, chamados Diabos ou Demônios, com seu cabeça Lúcifer ou Satanás, foram expulsos do Céu e condenados ao Inferno por toda a eternidade”.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – Tudo o que Deus criou é bom. Deus criou os anjos e, como aos homens, deu-lhes liberdade para servi-Lo ou não. Ao escolherem não servirem a Deus, foram expulsos para a perdição eterna. Portanto, o Demônio existe sim, mas foi criado por Deus como um anjo, que optou por ser infiel.
RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO – São inúmeros os casos de exorcismos feitos por Nosso Senhor. O próprio Cristo foi tentado pelo Demônio por três vezes no deserto. Até o Antigo Testamento já atestava a existência do Demônio, por meio de passagens como a história de Tobias. Portanto, o Demônio não é uma invenção da Idade Média, sendo uma realidade bíblica.
Art. 9º – Se os materialmente pobres serão certamente salvos e os materialmente ricos, condenados
Parece que Jesus tem uma preferência pelos materialmente pobres, enquanto constantemente condena os ricos.
1 – Pois Cristo mesmo diz acerca da condenação dos ricos (Lc 6,24): “Ai de vós, ricos!”. E ainda (Lc 18,24): “Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!”.
2 – Ademais, quanto aos pobres está escrito (Is 11,4): “(Deus) julgará os fracos com equidade, fará justiça aos pobres da Terra”. E também (Is 14,30): “Os pobres dormirão tranquilos”.
Mas, ao contrário, diz a Escritura (Mt 5,3): “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus”.
SOLUÇÃO – O que Deus condena é a avareza. Por isso, os pobres no espírito são todos aqueles que, sendo materialmente ricos ou pobres, são desapegados. Se os materialmente pobres fossem automaticamente salvos, haveria uma diferença no amor de Deus pelas pessoas, o que não é verdade.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – Quando Deus criou o mundo, Ele viu que tudo era bom. Logo, a matéria é coisa boa. Ser rico não é um empecilho para ser Santo; o que Cristo condena é o apego desordenado. Muitos são os materialmente ricos canonizados ou em processo de canonização pela Igreja, como o empresário Venerável Enrique Shaw. A riqueza, porém, é tentadora e pode levar à perdição e, por isso, Deus diz (Eclo 31,8): “Bem-aventurado o rico que foi achado sem mácula”.
RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO – Os pobres estão igualmente sujeitos ao pecado. Se ser materialmente pobre fosse o suficiente para ser salvo, todos os habitantes dos países miseráveis já seriam automaticamente canonizados quando morressem. O Cardeal Ratzinger diz que: “A Igreja dos pobres seria uma Igreja classista, o que não é a vontade de Deus”.