Por Thais Oliveira
Tenho reparado uma tendência teológica moderna bizarra de “passar pano” para Judas Iscariotes.
Frases como: “Não podemos julgar Judas”, “Na cabeça de Judas, ele não achava que estivesse traindo Jesus” até coisas mais absurdas como: “Na verdade, Judas tinha uma intenção nobre” vão totalmente na contramão de como as Sagradas Escrituras o descrevem: “um diabo”, “filho da perdição”, “ladrão”. Os Santos, fiéis às Escrituras, dizem a respeito de Judas:
“Judas foi escolhido entre os santos, mas se tornou um diabo.” (Santo Agostinho)
“Nem mesmo o convívio com Cristo corrigiu Judas.” (São João Crisóstomo)
“A avareza levou Judas à perdição.” (São Bernardo de Claraval)
“Judas começou roubando pequenas coisas e terminou entregando o Senhor.” (Santo Afonso)
“Aquele que guardava a bolsa perdeu o tesouro eterno.” (São Beda)
“O Diabo não forçou Judas, mas encontrou nele um coração disposto.” (São Leão Magno)
O ensinamento tradicional da Igreja sempre viu Judas como alguém que, embora tivesse tido todas as oportunidades do mundo para ser Santo, escolheu livremente virar as costas para o Senhor e entregá-Lo. Judas não era um coitado inocente que tinha boas intenções; Judas era mau.
A relativização do pecado de Judas Iscariotes diz muito sobre a atitude do homem moderno: uma constante tendência de relativizar os próprios erros, sempre se colocando como uma vítima da sociedade. Em vez de assumir os próprios pecados, muitos fazem uma ladainha de justificativas: “Fiz tal coisa porque me induziram, porque todo o mundo faz, porque fiquei com medo do que pensariam de mim se eu não fizesse, porque mereço ser feliz, porque ninguém é de ferro, porque só se vive uma vez, porque o importante é a intenção, etc, etc, etc.
Não é de se espantar que alguém que vive uma vida toda escondendo de si mesmo as próprias falhas seja tão doente e hipersensível.
O único remédio para uma sociedade tão ansiosa e depressiva é a coragem de olhar pra dentro de si e ver que existe um Judas Iscariotes em cada um de nós; é assumirmos nossas mazelas sem vitimismo e confessarmos nossas culpas em alto e bom som diante de alguém que recebeu o poder sacramental de nos perdoar.
O reconhecimento sincero e contrito de que tivemos todas as possibilidades de escolher o caminho certo e preferimos, por livre e espontânea vontade, seguir o caminho da perdição é libertador.
Eis o tempo de conversão! Caso ainda não tenha se confessado nesta Quaresma, há tempo! Assuma seus pecados sem “passar pano” e prepare-se para viver a Páscoa com um coração renovado!