Encerrando a sequência de artigos relacionados à heresia da Teologia da Libertação — os anteriores foram publicados em 06/10/2025, 14/10/2025 e 20/10/2025 —, segue mais uma análise acerca de outros três pontos controversos.
Art. 10 – Se a Igreja deve adaptar sua Doutrina aos tempos modernos
Parece que a Igreja deve se adaptar aos tempos modernos.
1 – O mundo está em constante mudança. Deus quer que todos se salvem. Logo, para salvar a todos, é necessário que a Igreja esteja em sintonia com as mudanças do mundo, adaptando sua Doutrina aos tempos modernos.
2 – Ademais, para os homens de antigamente, era muito mais fácil seguir os ensinamentos da Igreja. No entanto, para os homens de hoje, está cada vez mais difícil. Portanto, para não desanimar o povo, a Igreja deve se adaptar.
Mas, ao contrário, disse o Papa Bento XVI: “A Igreja deve abrir-se ao mundo como fez Jesus Cristo: não para confirmar o mundo no seu ser terreno, tornando-se seu companheiro e deixando-o assim como é, mas para o transformar”.
SOLUÇÃO – A Santa Doutrina da Igreja não muda. O que ofendia a Deus na época dos Apóstolos continua a ofender a Deus nos dias de hoje.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – O mundo está indo cada vez mais para longe de Deus. Isso não está acontecendo por acaso. Existem grandes pensadores por trás de cada ideologia. E a intenção deles é, através da cultura, distanciar as pessoas de Deus. Ceder a essa mentalidade faria a Igreja concordar com aqueles que querem destruí-la. Logo, a Igreja não deve adaptar sua Doutrina aos tempos modernos e, sim, transformá-la, por meio de um verdadeiro apostolado.
RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO – A Doutrina de Jesus sempre foi dura. Os fariseus ficavam profundamente escandalizados com o que Jesus ensinava. Seus próprios discípulos disseram certa vez (Jo 6,60): “Isto é muito duro! Quem o pode admitir?”.
Art. 11 – Se o Missal precisa ser obedecido
Parece que o Missal não precisa ser obedecido.
1 – Pois a Igreja deve ser viva, não pode ser monótona. Por isso, os Padres devem sempre inovar a liturgia. São eles que devem determinar como vão celebrar, pois o celebrante está acima do Missal.
Mas, ao contrário, diz a Bula “Quo Primum Tempore”, do Papa Pio V (11): “…pela mesma autoridade, decretamos que, depois da publicação de Nossa presente Constituição e deste Missal, todos os padres sejam obrigados a cantar ou celebrar a Missa de acordo com ele…”.
SOLUÇÃO – Segundo o Catecismo da Igreja Católica (1125): “Nenhum rito sacramental pode ser modificado ou manipulado ao arbítrio do ministro ou da comunidade. Nem mesmo a suprema autoridade da Igreja pode alterar a Liturgia ao seu arbítrio, mas somente na obediência da fé e no religioso respeito do Mistério da Liturgia”.
DONDE A RESPOSTA À OBJEÇÃO – Segundo o Catecismo da Igreja Católica (1074): “A liturgia é o lugar privilegiado da catequese do povo de Deus”. A partir dela, os fiéis vivem toda a história da salvação. Ora, os Padres não podem modificar a história da salvação, logo não podem modificar a Liturgia. Portanto, o Missal deve ser obedecido.
Art. 12 – Se a Igreja defende o comunismo
Parece que a Igreja defende o comunismo.
1 – Pois o comunismo tem como objetivo acabar com a pobreza. Jesus sempre defendeu os pobres. Logo, Jesus foi o primeiro comunista e a Igreja defende o comunismo.
Mas, ao contrário, diz a Encíclica “Divinis Redemptoris”, do Papa Pio XI (58): “…O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã. E, se alguns, induzidos em erro, cooperassem para a vitória do comunismo no seu país, seriam os primeiros a cair como vítimas do seu erro; e quanto mais se distinguem pela antiguidade e grandeza da sua civilização cristã as regiões onde o comunismo consegue penetrar, tanto mais devastador lá se manifesta o ódio dos ‘sem-Deus’”.
SOLUÇÃO – Segundo o Catecismo da Igreja Católica (2425): “A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao ‘comunismo’ ou ao ‘socialismo’”.
DONDE A RESPOSTA À OBJEÇÃO – Relacionar caridade com comunismo é um grande erro. O comunismo pretende acabar com a desigualdade à força (tomando propriedades dos mais ricos, por exemplo). Isso não é caridade e tampouco estimula a caridade. Apenas a virtude é capaz de livrar o homem da barbárie, do egoísmo, da ambição. Ora, o comunismo não ensina a prática das virtudes; quem faz isso é a Igreja. Portanto, não se pode, de forma alguma, afirmar que Jesus foi comunista, pois Ele queria que as pessoas chegassem à caridade pela virtude e não pela força de um governo totalitário.