O que são os novíssimos? Quantos e quais são?

É extremamente deturpada a ideia de “vida após a morte”. Alguns acreditam que não haverá nada depois da morte, que seremos enterrados, apodreceremos e tudo acabará. Outros acreditam que voltaremos a este mundo em outros corpos, tendo a chance de corrigir, na próxima vida e em quantas forem necessárias, os erros que cometemos na vida presente. Para não cairmos nessas falsas ideias, precisamos saber quais são os ensinamentos acerca dos novíssimos, ou seja, acerca das últimas coisas que nos acontecerão.

Alguns autores espirituais divergem quanto à quantidade dos novíssimos. A lista mais completa contém oito:

  1. Morte: designa a separação do corpo e da alma. Nas palavras do parágrafo 1007 do Catecismo, é o termo da vida terrestre. E, ainda, “a morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último” (parágrafo 1013). A morte não estava prevista no plano inicial de Deus. Deus tinha dado alguns presentes ao ser humano, chamados dons preternaturais. O homem, embora tenha recebido tantos dons, pecou por soberba, querendo se fazer igual a Deus. Deus, por bondade, deu ao homem um castigo, retirando dele esses presentes para que voltássemos à nossa humildade. “A morte é consequência do pecado”, nos ensina o parágrafo 1008 do Catecismo. É muito salutar que pensemos sempre na morte, fazendo todas as noites um exame de consciência e pedindo que Deus nos livre da morte repentina. O Catecismo, em seu parágrafo 1013, ressalta que “quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. ‘Os homens devem morrer uma só vez’ (Hb 9,27). Não existe ‘reencarnação’ depois da morte”.
  • Juízo Particular: A Igreja nos ensina que, tão logo morrermos, seremos julgados. A parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo ao bom ladrão “falam de um destino último da alma, que pode ser diferente para uns e outros”. Depois de morta, não há mais possibilidade de conversão: ou a pessoa está eternamente salva, ou eternamente condenada.
  • Céu: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo”. Assim nos ensina a Igreja no parágrafo 1023 do Catecismo. Essa vida perfeita eterna com Cristo é o que se denomina Céu. Deus deseja que todas as pessoas vão para o Céu; Ele não criou ninguém para a perdição eterna. Existem níveis diferentes de Céus: alguém que se converteu no fim da vida não gozará da mesma Glória que Santa Inês ou São Francisco.
  • Inferno: Assim define o Catecismo em seu parágrafo 1033: “Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. A este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados se designa com a palavra ‘inferno’”. Infelizmente, há uma tendência moderna de se negar a existência do inferno ou de acreditar que o inferno está vazio. Se o inferno não existisse, teria sido absolutamente vão o sacrifício de Cristo por nós na Cruz. Não foi Deus quem criou o inferno, ele foi inventado pelos anjos que escolheram se opor à Graça e disseram: “Não servirei”. Justamente por isso, é impensável que o Inferno esteja vazio, já que lá habitam, no mínimo, milhões de anjos decaídos. O homem, por causa do pecado original, já nasce com a tendência para o mal e, por isso, é absolutamente necessária uma vida sacramental para vencermos todas essas desordens que já estão “instaladas” em nós.
  • Purgatório: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados” (CIC Parágrafo 1031). Ser salvo é diferente de ser santo. Devemos rezar pelas almas dos fiéis falecidos porque a maioria das pessoas não são santas. É um grande ato de caridade rezar pelas almas, porque pode ser que estejam no Purgatório. É com esse propósito que a Igreja dedica um dia especial à memória dos fiéis defuntos (02 de novembro). A indulgência é um remédio dado pela Igreja para diminuirmos ou livrarmos por completo uma alma do purgatório.
  • Ressurreição: Um dos artigos do Credo diz respeito à ressurreição da carne. Sobre esse artigo, o Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 989, diz: “Cremos firmemente – e assim esperamos – que, da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia. Como a ressurreição de Cristo, também a nossa será obra da Santíssima Trindade”.
  • Juízo Final: A história como um todo será julgada. “É diante de Cristo – que é a Verdade – que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus. O Juízo Final há de revelar, até as últimas consequências, o que alguém tiver feito de bem ou deixado de fazer durante sua vida terrestre” (Parágrafo 1039 do Catecismo da Igreja Católica). Esse juízo, ainda segundo o Catecismo, acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. A essa vinda gloriosa de Cristo damos o nome de fim do mundo.
  • Fim do mundo: Se a vida de Cristo terminou neste mundo, é natural que a história da humanidade neste mundo também termine um dia. Esse fim será precedido por uma grande tribulação, como houve na vida de Jesus. Haverá a grande apostasia. Muitos vão abandonar a Fé. Nós não sabemos quando isso virá; Deus não quis nos dar a data e, justamente por isso, é extremamente prejudicial à nossa alma usar de livros como o Apocalipse como meio de tentar adivinhar o futuro, ou tentar prever, por meio de aparições de Nossa Senhora, qual será a data do fim. Todo e qualquer empenho adivinhatório é pecado grave contra o 1º mandamento.

Tudo o que até aqui foi exposto não tem a intenção de incutir medo e desespero. Muito pelo contrário: a intenção é mostrar que há, sim, uma vida depois desta e que só a Deus pertence saber quando cada coisa se dará tanto de modo particular, quanto universal. A nossa postura diante disso deve ser viver de modo que estejamos sempre preparados, pois não sabemos o dia nem a hora. Uma alma que se empenha em viver diariamente em estado de graça, que tem uma vida sacramental, que se esforça verdadeiramente por amar a Deus e aos outros não tem o que temer; só lhe resta esperar pelo dia glorioso em que se dará a concretização dos “novos céus e da nova terra”, como diz o Catecismo.

Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica

Curso “Catequese para Adultos” – Padre Paulo Ricardo

Curso “Credo da Igreja Católica” – Padre Paulo Ricardo